Limite do MEI pode subir para R$ 130 mil: entenda

Governo discute proposta para aumentar o limite do MEI de R$ 81 mil para R$ 130 mil por ano. Veja o que pode mudar e o que ainda não está valendo.

O limite do MEI pode subir de R$ 81 mil para R$ 130 mil por ano, mas a mudança ainda não está valendo. A proposta está em discussão na Câmara dos Deputados e pode alterar o teto de faturamento do microempreendedor individual.

A mudança mais comentada é a elevação desse limite para R$ 130 mil anuais. Na prática, isso permitiria que o MEI faturasse mais sem precisar migrar imediatamente para outro regime empresarial, como microempresa. A proposta também está ligada ao debate sobre a possibilidade de o microempreendedor contratar até dois empregados, em vez de apenas um, como ocorre atualmente.

Apesar da movimentação política, é importante deixar claro: a mudança ainda não está valendo. O limite oficial do MEI continua sendo R$ 81 mil por ano até que uma nova lei seja aprovada e entre em vigor.

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Qual é o limite atual do MEI?

Atualmente, o MEI pode faturar até R$ 81 mil por ano. Esse valor equivale a uma média mensal de R$ 6.750.

Esse limite é um dos principais critérios para manter o enquadramento como microempreendedor individual. Quem ultrapassa esse teto pode ser obrigado a sair do MEI e migrar para outro regime, com aumento de obrigações fiscais, contábeis e tributárias.

Para muitos pequenos negócios, esse limite já ficou apertado. Prestadores de serviço, comerciantes, profissionais da beleza, alimentação, manutenção, assistência técnica, transporte, entregas, tecnologia e diversas outras atividades têm sentido o peso da inflação e do aumento dos custos.

O problema é simples: o preço dos produtos e serviços subiu ao longo dos anos, mas o limite do MEI não acompanhou esse movimento na mesma proporção. Com isso, um microempreendedor pode parecer maior no papel apenas porque vende mais caro, mesmo sem ter aumentado sua margem de lucro.

O que está sendo proposto?

A principal discussão é aumentar o teto anual do MEI de R$ 81 mil para R$ 130 mil.

Se esse novo valor for aprovado, a média mensal de faturamento passaria de R$ 6.750 para aproximadamente R$ 10.833 por mês.

Essa diferença pode ser decisiva para quem está crescendo, mas ainda não tem estrutura para arcar com os custos de uma empresa maior. Muitos MEIs trabalham sozinhos, atendem em casa, fazem entregas, prestam serviço localmente ou mantêm pequenos pontos comerciais. Para esse público, uma migração forçada pode representar um salto grande demais.

Além do novo limite, o PLP 108/2021, que já foi aprovado pelo Senado e tramita na Câmara dos Deputados, também propõe permitir que o MEI contrate até dois empregados. Hoje, a regra geral permite apenas um funcionário.

A proposta já foi aprovada?

Não. Esse é o ponto que mais merece atenção.

Até o momento, o aumento do limite do MEI está em discussão no Congresso Nacional. O PLP 108/2021 já passou pelo Senado, mas ainda precisa avançar na Câmara. A Câmara criou uma comissão especial para tratar do tema, e o governo sinalizou que pretende apresentar uma proposta própria ou contribuir com um texto de consenso.

Isso significa que existe uma movimentação real para mudar as regras, mas ainda não existe uma nova lei em vigor.

Na prática, o MEI deve continuar considerando o limite atual de R$ 81 mil até que haja aprovação definitiva, sanção presidencial e publicação oficial da mudança.

Por que o limite do MEI virou prioridade?

O MEI é uma das principais portas de entrada para a formalização no Brasil. A categoria permite que trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores tenham CNPJ, emitam nota fiscal, contribuam para a Previdência Social e acessem direitos como aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade, desde que cumpram os requisitos legais.

O modelo também simplificou a vida de milhões de pessoas que antes trabalhavam na informalidade. Com uma guia mensal reduzida, o MEI consegue manter sua empresa regularizada sem enfrentar a complexidade tributária de regimes maiores.

O desafio é que muitos negócios amadureceram. O empreendedor que começou pequeno pode ter aumentado sua clientela, melhorado seu faturamento ou passado a vender produtos mais caros. Ainda assim, ele pode continuar sendo um pequeno negócio, sem equipe grande, sem estrutura administrativa e sem margem suficiente para migrar com tranquilidade.

É nesse ponto que a atualização do teto ganha força. A ideia é evitar que o MEI seja penalizado pelo próprio crescimento.

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O que muda na prática se o teto subir?

Se o limite for elevado para R$ 130 mil, o MEI terá mais espaço para crescer dentro do regime simplificado.

Imagine um prestador de serviços que fatura R$ 8 mil por mês. No limite atual, ele ultrapassaria o teto anual se mantivesse esse ritmo durante o ano inteiro. Com o novo limite, esse mesmo faturamento ficaria dentro da margem permitida.

O mesmo vale para pequenos comerciantes. Um negócio que vende produtos físicos pode ter faturamento relativamente alto, mas margem de lucro apertada, já que precisa comprar mercadorias, pagar frete, taxas, embalagens e outros custos. Para esse perfil, olhar apenas o faturamento bruto pode dar uma impressão distorcida da realidade.

Com um teto maior, o MEI teria mais fôlego antes de precisar migrar para microempresa. Isso permitiria planejamento, organização financeira e crescimento mais gradual.

O MEI poderá contratar mais funcionários?

O PLP 108/2021 também prevê a possibilidade de o MEI contratar até dois empregados. Hoje, a regra permite apenas um.

Essa mudança pode beneficiar atividades que precisam de apoio operacional. Um pequeno comércio, por exemplo, pode precisar de uma pessoa no atendimento e outra na entrega. Um prestador de serviços pode precisar de um auxiliar fixo para dar conta da demanda. Um negócio de alimentação pode precisar de ajuda na produção e no atendimento.

Ainda assim, esse ponto também depende de aprovação. Enquanto a lei não muda, a regra atual continua valendo.

O que o MEI deve fazer agora?

O primeiro passo é não tomar decisões com base em expectativa. O aumento do limite está em debate, mas ainda não está em vigor.

Por isso, o MEI deve continuar acompanhando seu faturamento com base no teto atual de R$ 81 mil por ano. Quem está perto desse valor precisa redobrar a atenção, principalmente se emite notas fiscais, vende por maquininhas, usa plataformas digitais ou recebe pagamentos por meios rastreáveis.

Também é importante organizar as entradas mês a mês. Muitos microempreendedores só percebem que passaram do limite no fim do ano, quando vão entregar a Declaração Anual do Simples Nacional do MEI. O ideal é acompanhar o faturamento ao longo do ano inteiro.

Outra recomendação é separar faturamento de lucro. O limite do MEI considera a receita bruta, ou seja, tudo o que entrou pela venda de produtos ou serviços. Não é o lucro líquido. Mesmo que o empreendedor tenha muitos custos, o valor considerado para o limite é o faturamento bruto.

Quem pode ser mais beneficiado?

A atualização do limite pode beneficiar principalmente MEIs que já têm demanda constante e estão próximos do teto atual.

Esse é o caso de profissionais que prestam serviços recorrentes, pequenos lojistas, vendedores online, trabalhadores de alimentação, oficinas, manutenção, beleza, estética, serviços domésticos especializados, produção artesanal e negócios locais que cresceram nos últimos anos.

Também pode ajudar quem evita vender mais para não ultrapassar o limite. Parece estranho, mas acontece. Alguns microempreendedores recusam pedidos, diminuem divulgação ou seguram o crescimento por medo de sair do MEI sem preparo.

Com um teto maior, esses negócios poderiam crescer de forma mais natural.

O que ainda precisa ser definido?

Ainda existem pontos importantes em aberto. O Congresso precisa definir o texto final, o novo valor do limite, a regra de transição, a possibilidade de correção automática no futuro e eventuais impactos fiscais.

Também será necessário entender se a mudança valerá imediatamente após aprovação ou apenas a partir do ano seguinte. Esse detalhe é muito importante para o planejamento do MEI.

Outro ponto é a atualização futura. Muitos defendem que o limite seja corrigido periodicamente por algum índice, como forma de evitar nova defasagem. Sem essa correção, o problema pode voltar depois de alguns anos.

Cuidado com promessas falsas

Sempre que uma mudança desse tipo entra em discussão, começam a circular mensagens dizendo que “o novo limite já foi aprovado” ou que “o MEI já pode faturar R$ 130 mil”. Até agora, isso não é correto.

O MEI deve buscar informações em fontes oficiais, como Câmara dos Deputados, Senado, Receita Federal, Portal do Empreendedor e Sebrae. Também é recomendável conversar com um contador antes de tomar decisões se o faturamento estiver perto do limite.

Resumo para o MEI

O governo sinalizou que deve apresentar uma proposta para atualizar o limite de faturamento do MEI. A discussão gira em torno da elevação do teto de R$ 81 mil para R$ 130 mil por ano.

A mudança pode dar mais espaço para o microempreendedor crescer, evitar desenquadramentos precoces e permitir uma transição mais organizada para negócios que estão amadurecendo.

Por enquanto, porém, o aumento ainda não está valendo. O MEI deve continuar seguindo as regras atuais, controlar o faturamento e acompanhar a tramitação do projeto.

A atualização do limite pode ser uma das mudanças mais importantes para os microempreendedores nos últimos anos, mas ainda depende de aprovação no Congresso.

Fontes: Agência Câmara, PLP 108/2021 e Agência Câmara sobre proposta do governo.


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