Identificados trabalhadores mortos em queda de grua no bairro Fragata em Pelotas

Identificados trabalhadores mortos em queda de grua no bairro Fragata em Pelotas

O acidente ocorrido durante a montagem de um equipamento de grande porte chocou a região sul do estado; perícia busca causas do rompimento da estrutura.

A noite de ontem foi marcada por uma das maiores tragédias recentes no setor da construção civil em Pelotas. O que deveria ser um procedimento técnico de rotina — a montagem e teste de uma grua em um canteiro de obras no bairro Fragata — transformou-se em um cenário de horror que resultou na morte de três trabalhadores. O impacto do incidente não apenas mobilizou as forças de segurança durante toda a madrugada, mas também acendeu um alerta nacional sobre os protocolos de segurança em operações de alta complexidade em canteiros de obras.


O cenário do acidente e o resgate das vítimas

O incidente aconteceu em um empreendimento localizado na zona sul, em um horário em que o expediente regular já havia sido encerrado, mas a equipe técnica permanecia no local para finalizar a instalação da estrutura metálica. Segundo relatos preliminares, a lança da grua (a parte horizontal do guindaste) rompeu-se durante um teste de carga, desabando sobre os profissionais que operavam no solo e na base do equipamento.

O Corpo de Bombeiros e o SAMU foram acionados imediatamente, mas a complexidade da estrutura dificultou o acesso às vítimas. Foram necessárias horas de trabalho intensivo e o uso de outros guindastes auxiliares para içar os escombros metálicos. Três homens não sobreviveram aos ferimentos e tiveram o óbito confirmado ainda no local. Um quarto trabalhador, que estava a poucos metros da área de impacto, conseguiu correr e saiu ileso, embora em estado de choque.


Identificação dos profissionais envolvidos

Nesta manhã, as autoridades confirmaram a identidade das vítimas, revelando que a equipe era composta por profissionais de diferentes regiões do Brasil, evidenciando a especialização necessária para esse tipo de montagem:

  1. William de Oliveira Andrade: Natural da Paraíba, residia em Pelotas e atuava há anos no setor.
  2. Raimundo José da Silva: Natural do Piauí, também já estava estabelecido na cidade.
  3. Tharles Rocha Martins: Natural de Goiás, Tharles estava em Pelotas temporariamente, integrando a equipe técnica especializada na montagem desse modelo específico de grua.

A diversidade de origens das vítimas reforça o caráter técnico da operação, que atraía mão de obra qualificada de diversos estados para grandes empreendimentos no Rio Grande do Sul.


Impacto no setor e suspensão das atividades

A construtora responsável pela obra, a Solum, emitiu uma nota oficial de profundo pesar, afirmando que está prestando todo o suporte necessário às famílias das vítimas e que a segurança sempre foi uma prioridade em seus processos. Como medida imediata e por respeito ao luto, a empresa decidiu suspender todas as atividades em seus canteiros de obras no estado por tempo indeterminado.

O impacto deste evento reverbera em todo o mercado imobiliário e de construção civil. Especialistas apontam que acidentes com gruas são raros, mas quando ocorrem, tendem a ser fatais devido ao peso das peças. A fiscalização do Ministério do Trabalho e o Sindicato da Construção Civil (Sinduscon) devem acompanhar de perto os desdobramentos, buscando entender se houve falha humana, fadiga de material ou condições climáticas adversas que pudessem ter contribuído para o colapso.


Investigação e busca por respostas

A Polícia Civil de Pelotas já abriu um inquérito para apurar as responsabilidades. A perícia técnica do Instituto-Geral de Perícias (IGP) trabalhou no local para recolher evidências do material rompido. O foco principal da investigação será determinar se o rompimento ocorreu por um defeito de fabricação na estrutura da grua ou por um erro no cálculo de peso e contrapeso durante a fase de testes.

Testemunhas e engenheiros responsáveis pela obra começarão a ser ouvidos na próxima segunda-feira. O objetivo é esclarecer se todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e Coletiva (EPCs) estavam sendo utilizados e se o plano de carga do equipamento estava dentro das normas da NR-18, que rege a segurança na construção civil brasileira.


Projeções e tendências para a segurança no trabalho

Este trágico evento deve acelerar discussões sobre a modernização da fiscalização em obras de grande porte no Brasil. A tendência é que haja uma exigência maior por sistemas de monitoramento em tempo real durante montagens críticas e o uso de sensores de fadiga em metais. Para o setor, o custo de uma falha dessas é imensurável, indo muito além do prejuízo financeiro e atingindo o valor mais alto de qualquer operação: a vida humana.


Fonte: O SUL

Leia também:

Sua opinião é importante! Envie sugestões para o Portal BNC. Clique Aqui!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *