A discussão sobre o futuro da inteligência artificial (IA) ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (20): a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs a criação de uma comissão internacional para reforçar o “controle humano” da IA, mas a proposta enfrenta resistência dos Estados Unidos, que rejeitam um modelo de governança global para a tecnologia.
A ideia foi anunciada durante a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizada em Nova Déli, na Índia, onde líderes globais e especialistas discutiram os riscos e desafios das máquinas inteligentes que estão cada vez mais presentes no dia a dia de milhões de pessoas no mundo.
🧠 ONU quer controle humano da IA
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a tecnologia está avançando em ritmo acelerado e que é preciso menos medo e mais ciência na forma como ela é regulada. Para isso, a Assembleia Geral das Nações Unidas designou um grupo de 40 especialistas para formar um painel técnico que será responsável por avaliar os impactos sociais, econômicos e políticos da IA e propor diretrizes que ajudem governos a agir com mais segurança e responsabilidade.
Segundo Guterres, a intenção é que a inteligência artificial seja usada de forma que beneficie a humanidade, evitando que ela simplesmente siga sem controle ou sem parâmetros que considerem os riscos reais. “A governança baseada na ciência não é um freio ao progresso, e sim algo que pode tornar a IA mais segura, mais justa e amplamente compartilhada”, disse ele durante o encontro.

🇺🇸 Casa Branca rejeita governança global
Apesar da proposta da ONU, os Estados Unidos deixaram claro que não apoiam a ideia de um modelo de governança global da IA. O conselheiro de tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios, afirmou que o governo americano rejeita totalmente essa forma de controle internacional e defende que a regulamentação da inteligência artificial deve ser feita de forma nacional ou por cada país conforme sua realidade.
Kratsios disse que estruturas burocráticas centralizadas e controles muito rígidos podem atrapalhar a inovação e limitar o potencial de crescimento que a tecnologia oferece. Segundo ele, a adoção da IA pode trazer prosperidade e avanços significativos, desde que não seja submetida a um modelo global de regulação.

🌍 Debate global e próximos passos
A cúpula de Nova Déli é a quarta reunião internacional dedicada a discutir políticas e normas sobre inteligência artificial. O evento reúne líderes políticos, executivos de tecnologia e especialistas de todo o mundo, incluindo representantes de gigantes do setor, como o CEO da OpenAI, Sam Altman, que tem defendido a necessidade de uma regulamentação mais urgente para tornar a IA segura para todos.
Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participou das discussões e alertou que, sem ações coordenadas, a IA pode aprofundar desigualdades globais, favorecendo países com mais recursos e deixando outros para trás no acesso à tecnologia e aos seus benefícios.
O debate continua e a expectativa é que novas reuniões e discussões aconteçam ao longo dos próximos meses, inclusive com um encontro já previsto para acontecer em Genebra, no primeiro semestre de 2027.
Fonte: G1
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