O mercado de trabalho brasileiro deve permanecer aquecido no segundo semestre de 2026, mas com contratações mais seletivas, avanço dos serviços e valorização de profissionais que combinam conhecimento técnico, habilidades comportamentais e domínio de ferramentas digitais. Para quem procura emprego, o caminho será acompanhar os setores que continuam abrindo vagas, atualizar competências e adaptar o currículo às exigências de cada oportunidade.
O Brasil chega à segunda metade do ano com indicadores positivos. A taxa de desocupação ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio de 2026, abaixo dos 6,2% registrados no mesmo período de 2025. O país tinha 102,7 milhões de pessoas ocupadas, enquanto o rendimento real habitual alcançou R$ 3.726, com crescimento de 4% em um ano, segundo o IBGE.
Os números indicam um mercado resistente, mas não garantem que todas as áreas ou regiões terão o mesmo desempenho. A tendência para os próximos meses é de continuidade na geração de postos de trabalho, acompanhada por diferenças importantes entre setores, estados e níveis de qualificação.
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Contratações devem continuar, mas em ritmo mais moderado
A primeira tendência para o segundo semestre é a manutenção de um nível elevado de emprego, embora com possível desaceleração na abertura de vagas formais. O Relatório de Política Monetária de junho, publicado pelo Banco Central, classificou o mercado de trabalho como aquecido, com desemprego baixo e geração significativa de empregos com carteira assinada.
Entre janeiro e abril, o Brasil acumulou saldo positivo de aproximadamente 682 mil empregos formais. O resultado, porém, ficou 217 mil vagas abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Isso sugere que as empresas continuam contratando, mas podem se tornar mais cautelosas diante do crescimento econômico moderado e das incertezas internas e externas.
Na prática, o trabalhador deverá encontrar oportunidades, mas também enfrentar processos seletivos mais exigentes. Currículos genéricos, sem resultados comprovados ou competências relacionadas à vaga, tendem a perder espaço.
Serviços devem concentrar boa parte das vagas
O setor de serviços aparece como um dos principais motores das contratações. Em abril de 2026, o Brasil criou 85.888 empregos com carteira assinada. Desse total, 69.601 vieram dos serviços, conforme o Novo Caged.
Dentro desse grupo, houve resultados positivos em transporte, armazenagem e correio; alojamento e alimentação; informação e comunicação; atividades financeiras e profissionais; educação; saúde e serviços sociais. Construção e indústria também fecharam abril com criação líquida de postos.
Os dados do IBGE reforçam parte desse movimento. Entre os trimestres encerrados em fevereiro e maio, transporte, armazenagem e correio ganharam 177 mil trabalhadores. Administração pública, educação, saúde e serviços sociais tiveram aumento de 591 mil pessoas ocupadas.
Isso não significa que todas as empresas desses setores contratarão na mesma proporção. O comportamento varia conforme a região e a atividade. Ainda assim, quem procura emprego deve monitorar especialmente vagas em logística, atendimento, saúde, educação, tecnologia, serviços administrativos e construção.
Inteligência artificial passa a ser competência transversal
A inteligência artificial não deve ficar restrita às profissões de tecnologia. No segundo semestre, mais empresas poderão exigir que seus funcionários saibam utilizar ferramentas digitais para pesquisar, analisar informações, produzir documentos, atender clientes e automatizar tarefas repetitivas.
O avanço da tecnologia não significa necessariamente o desaparecimento imediato de profissões inteiras. A mudança mais visível tende a ocorrer dentro das próprias ocupações. Assistentes administrativos, profissionais de marketing, vendedores, analistas financeiros, professores, técnicos e gestores passarão a executar parte de suas atividades com apoio de sistemas de IA.
Nesse cenário, apenas saber acessar uma ferramenta não será suficiente. O profissional precisará revisar resultados, proteger informações confidenciais, identificar erros e decidir quando uma tarefa exige análise humana. O Ministério do Trabalho e Emprego já oferece, por meio da Escola do Trabalhador 4.0, trilhas gratuitas relacionadas à inteligência artificial e às competências digitais.
Conhecimento técnico e habilidades humanas ganham valor
Outra tendência será a combinação entre competências técnicas e comportamentais. Empresas precisam de pessoas que saibam operar sistemas, equipamentos e processos, mas também consigam resolver problemas, comunicar decisões e trabalhar em equipe.
Pensamento crítico, organização, capacidade de aprendizagem, comunicação clara e responsabilidade devem ganhar importância porque complementam — e não apenas competem com — a automação. Quanto maior o uso de tecnologia, maior tende a ser a necessidade de profissionais capazes de interpretar situações que não seguem um roteiro simples.
Para quem está desempregado, pode ser mais vantajoso fazer uma formação curta e relacionada a vagas reais da região do que iniciar um curso amplo sem objetivo profissional definido. Antes de escolher uma qualificação, o candidato deve analisar anúncios de emprego e identificar quais requisitos aparecem repetidamente.
Salário e retenção também entram na disputa por profissionais
O rendimento do trabalho melhorou em comparação com 2025. Segundo o IBGE, a renda real habitual cresceu 4% em um ano. O Banco Central também observou que a proporção de desligamentos voluntários permanece elevada, sinal de que parte dos trabalhadores encontra condições para trocar de emprego.
Essa mobilidade aumenta a pressão sobre empresas que precisam reter profissionais qualificados. Salário continuará sendo decisivo, mas benefícios, ambiente de trabalho, possibilidade de desenvolvimento e qualidade da liderança podem influenciar a permanência dos funcionários.
Para o trabalhador empregado, o segundo semestre pode ser um momento para avaliar oportunidades, negociar responsabilidades e investir em competências que aumentem sua capacidade de mobilidade. A troca, contudo, deve considerar estabilidade, jornada, deslocamento, benefícios e perspectiva de crescimento — e não somente o salário anunciado.
Informalidade continua sendo um desafio
Apesar do desemprego baixo, o mercado brasileiro ainda apresenta problemas estruturais. A taxa de informalidade ficou em 37,3% no trimestre encerrado em maio, o equivalente a 38,3 milhões de trabalhadores. Além disso, 15,1 milhões de pessoas estavam subutilizadas, grupo que inclui desempregados, pessoas com horas insuficientes e trabalhadores disponíveis que não conseguiram participar plenamente do mercado.
Os números mostram que uma taxa reduzida de desemprego não significa necessariamente trabalho protegido ou renda adequada para todos. A qualidade da ocupação continuará no centro do debate, principalmente para jovens, trabalhadores com baixa escolaridade e profissionais que dependem de atividades por conta própria.
Como se preparar para o segundo semestre
Quem pretende conseguir emprego ou mudar de área deve começar com um diagnóstico objetivo. O primeiro passo é pesquisar vagas abertas na própria cidade ou em empresas que aceitem trabalho remoto. Depois, é necessário listar as competências mais solicitadas e comparar esses requisitos com a experiência já adquirida.
O currículo deve ser ajustado para cada tipo de vaga, destacando resultados, cursos e ferramentas realmente relevantes. Também é recomendável atualizar o perfil profissional nas plataformas de emprego, organizar exemplos de trabalhos anteriores e preparar respostas sobre situações reais enfrentadas na carreira.
Cursos gratuitos podem ajudar, especialmente em inteligência artificial, planilhas, atendimento, vendas, logística e comunicação. A qualificação, porém, precisa estar ligada a uma oportunidade concreta. Acumular certificados sem demonstrar aplicação prática dificilmente será suficiente.
O que esperar do mercado de trabalho
O cenário mais provável para o segundo semestre de 2026 combina desemprego ainda baixo, continuidade das contratações e maior seletividade por parte das empresas. Serviços devem seguir relevantes, enquanto logística, construção, saúde, educação e atividades ligadas à transformação digital podem oferecer oportunidades.
Para aproveitar esse movimento, o trabalhador precisa acompanhar os dados da sua região, identificar setores que realmente contratam e desenvolver competências aplicáveis. A principal tendência não é apenas o surgimento de novas profissões, mas a transformação das ocupações existentes. Quem aprender a combinar experiência, capacidade humana e uso responsável da tecnologia estará mais preparado para disputar as vagas dos próximos meses.
Fontes oficiais para consulta: IBGE — PNAD Contínua Ministério do Trabalho — Novo Caged Banco Central — Relatório de Política Monetária
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