O debate sobre o fim da chamada “escala 6×1” — regime em que o trabalhador cumpre seis dias de trabalho seguidos por apenas um dia de descanso — voltou a ganhar força no Brasil e já causa preocupação entre economistas, empresários e representantes do mercado. A proposta de acabar com essa forma de jornada está em discussão no Congresso e pode trazer mudanças profundas no mercado de trabalho, na economia e na vida dos trabalhadores. O que está em análise são projetos que pretendem reduzir a jornada semanal de trabalho, hoje de até 44 horas para um total de 36 ou 40 horas por semana, o que, na prática, eliminaria a escala 6×1 como é conhecida. A discussão ganhou ainda mais destaque porque é uma das prioridades do governo federal neste ano, apesar das incertezas sobre seus efeitos reais. Riscos para empregos formais e produtividade Muitos especialistas e representantes da indústria alertam que a mudança pode trazer consequências econômicas negativas. Um estudo feito por instituições de pesquisa aponta que a redução da jornada, sem ganhos claros de produtividade, pode aumentar o custo da mão de obra por hora trabalhada. Isso incentivaria empresas a reduzir a produção ou demitir funcionários. Estimativas indicam que a eliminação da escala 6×1 poderia levar à perda de até 640 mil empregos formais no país. Essa preocupação se baseia, entre outras coisas, no fato de que a produtividade média do trabalhador brasileiro cresceu muito pouco nas últimas décadas. Segundo análises do setor produtivo, o Brasil ainda tem índices de eficiência muito abaixo de países mais desenvolvidos, o que dificulta absorver o impacto de jornadas menores sem ajustes estruturais. Aumento da informalidade e custos para consumidores Outro ponto chave do debate é o risco de crescimento da informalidade no mercado de trabalho. Quando o custo para manter um funcionário formal aumenta, muitas empresas — especialmente as de menor porte — tendem a fazer menos contratações sob o regime CLT e mais contratos informais ou terceirizações. Isso pode enfraquecer a segurança jurídica e reduzir a proteção aos trabalhadores. Analistas também afirmam que os custos mais altos com mão de obra podem ser repassados aos consumidores, o que poderia pressionar a inflação de produtos e serviços, especialmente em setores com menor margem de lucro. Micro e pequenas empresas, em particular, seriam as mais afetadas, podendo enfrentar desafios maiores para se manter competitivas. Opinião pública e pesquisa sobre a escala 6×1 Enquanto isso, pesquisas de opinião mostram que a ideia de acabar com a escala 6×1 tem apoio significativo entre os brasileiros, principalmente se a mudança não implicar redução de salário. Em uma pesquisa recente, cerca de 73% dos entrevistados disseram apoiar o fim da escala, desde que a remuneração não seja diminuída. No entanto, parte dessa aprovação cai bastante quando se fala em redução salarial associada à mudança — um sinal de que a população enxerga o tema com bom senso, mas ainda está cautelosa quanto aos efeitos práticos da medida no próprio bolso. Visões diferentes sobre impactos e alternativas Nem todos os estudos preveem efeitos negativos drásticos. Um relatório do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sugere que o mercado pode absorver o aumento do custo da mão de obra sem grandes rupturas, especialmente nas grandes indústrias e no comércio, onde os impactos seriam relativamente pequenos em relação aos custos totais de operação. Ainda assim, diferentes especialistas reforçam que a discussão não deve ser apenas sobre dias de trabalho, mas sobre como melhorar a produtividade, qualificação e ambiente de negócios no país. Alguns defendem modelos alternativos de contratação, como trabalho por hora ou negociações coletivas, que podem oferecer mais flexibilidade sem sobrecarregar o sistema formal de emprego. O que está por vir O caminho para qualquer mudança ainda passa pelo Congresso, onde propostas como a redução da jornada precisam ser analisadas por comissões e votadas em plenário. Se aprovadas, essas mudanças podem afetar a vida de milhões de trabalhadores e empresas brasileiras nos próximos anos. O debate sobre o fim da escala 6×1 não é apenas técnico — ele toca diretamente no equilíbrio entre qualidade de vida do trabalhador, custos de produção e saúde da economia. Por isso, seguir a tramitação desses projetos e entender seus efeitos reais será essencial para qualquer leitor que se importa com o futuro do trabalho no Brasil. Fonte: Agencia Brasil Se Quiser deixa uma sugestão para a redação do Portal BNC. Clique Aqui!